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26/12/2008 - Compra da casa própria: o que foi 2008 e o que virá no próximo ano?
Quem queria comprar uma casa própria encontrou um cenário favorável neste ano. Até agosto, os bancos bateram recordes em investimentos na produção e concessões de crédito para aquisição de imóveis. Em setembro, porém, a crise fez o mercado passar por ajustes.
Em virtude da insegurança dos agentes financeiros, houve retração no número de unidades financiadas. No nono mês do ano, foram 29.404 financiamentos, ante 34.749 um mês antes.
"A apreensão dos bancos e o excesso de cautela levaram alguns agentes financeiros a aumentarem suas taxas de juros e retraírem a concessão de crédito à produção", explicou o presidente do Secovi-SP (Sindicato da Habitação), João Crestana. Empreendimentos foram adiados, e os consumidores diminuíram a compra, diante das dúvidas quanto ao rumo da economia.
Outubro: mês da parada técnica
O mês seguinte àquele que ficou marcado como o do início da crise (setembro) registrou uma "parada técnica" no mercado imobiliário. Isso significa que as empresas travaram as vendas de novos imóveis, em razão da falta de certeza quanto a custos e preços; os consumidores, por sua vez, deixaram de comprar.
Para se ter uma idéia, em outubro, as vendas de imóveis residenciais novos na cidade de São Paulo registraram queda de 62,8%, na comparação com setembro. A performance, medida pelo VSO (Indicador Venda sobre Oferta), foi de 4,9% no décimo mês do ano. Em setembro, foi de 13,8%.
"Trata-se de um comportamento lógico diante de uma situação financeira e econômica mundial de caos, com conseqüências imprevisíveis para a economia brasileira", analisa o economista-chefe do Secovi e membro do Conselho Curador do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), Celso Petrucci.
Crédito: o que esperar de 2009?
De acordo com Crestana, em 2009, o mercado imobiliário continuará crescendo, ainda que em um ritmo menor do que até agosto deste ano. Mas, e quem precisa de crédito para a compra da casa própria, o que pode esperar do ano que está chegando?
"Quanto aos recursos para irrigar o setor, o governo deu um voto de confiança já no final de 2008", disse o presidente do Secovi-SP. Para 2009, o Conselho Curador do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) aprovou um montante de R$ 12 bilhões para a aquisição de imóveis por meio de financiamento.
Crestana disse que isso faz crer que não faltará crédito aos consumidores finais, com juros que variam de 4,5% ao ano para cotistas do FGTS a 8,6% ao ano, para o programa Pró-Cotista.
Em relação à classe média, ele explicou que "teme um pouco" pela disponibilidade de crédito. Os recursos do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) usados neste ano para a compra da casa própria chegaram a R$ 30 bilhões, com 300 mil unidades financiadas. "A Abecip [Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança] anunciou, para 2009, manter os mesmos R$ 30 bilhões", afirmou, o que ainda não é certeza.
Preços
Quem decidiu deixar para o próximo ano para adquirir uma casa própria não pagará um valor muito diferenciado. De acordo com Petrucci, "não existe espaço para que os preços dos imóveis caiam em 2009".
Acompanhando os principais índices de inflação do país, ele disse que os preços dos imóveis subiram de maneira significativa este ano. "O preço do imóvel em lançamento nos últimos 10 anos andou muito ao lado do IPCA [Índice de Preços ao Consumidor Amplo]". De acordo com ele, se os preços dos produtos não vão cair, os dos imóveis também não irão subir. A tendência em 2009 é de estabilização.
Já para quem ainda vai depender do aluguel no próximo ano, aí está uma má notícia: os valores devem aumentar no próximo ano, acompanhando uma escassez de unidades e uma demanda aquecida.
Fonte: InfoMoney
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