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  16/01/2009 - Setor imobiliário espera medidas voltadas para o comprador final

A expectativa sobre o teor das medidas que a administração Luiz Inácio Lula da Silva vem prometendo para barrar uma queda acentuada na atividade da construção civil é uma dose de esperança em meio à expectativa de um crescente volume de demissões em diversos setores do País.

A habitação é um dos carros-chefe para geração de emprego, podendo, portanto, evitar um contágio maior da crise na economia. Segundo especialistas consultados pela InfoMoney, ao contrário das últimas atuações - focadas em crédito para melhorar situação de caixa de construtoras -, será lançado algo voltado para o cenário futuro, ou seja, crédito para o comprador final.

Segundo Nelson Barbosa, secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, as medidas focarão nas classes de média e baixa renda. "É preciso incentivar o comprador. Ele está assustado. E se incentiva através do crédito dele, como melhorando os limites do SFH (Sistema Financeiro de Habitação) - baseado na estrutura da caderneta de poupança - e mexendo no FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço)", aponta Emílio Fugazza, diretor financeiro e de RI da EzTec.

A primeira constatação é que, ao contrário da forma como tem sido ventilado, o auxílio não virá na forma de pacote. E sim "homeopaticamente", em medidas de uma a uma. É assim que pensa o presidente do Secovi-SP (sindicato das construtoras e imobiliárias), João Crestana. "Estamos razoavelmente otimistas, porque o Governo tem se mostrado muito sensível aos nossos pleitos", admite.

Deve vir...

Entre outras, uma medida bastante comentada pela indústria é a criação de um dispositivo seguro que garanta usar o FGTS de maneira corrente, ou seja, em todo mês poder usar o fundo para abater a prestação."Se fosse possível utilizar o fundo para fazer pagamentos desde quando se assume o compromisso de compra e venda, seria um impulso brutal no setor", comenta o executivo da incorporadora.

Também é considerada importante a possibilidade de adotar o FGTS na compra de mais de um imóvel. Isso porque, atualmente, só é permitida a utilização do fundo na aquisição de um só. Fato que não reflete a realidade de algumas classes sociais.

João Crestana cita uma iniciativa de desconto dos juros do financiamento do imóvel do total do Imposto de Renda. "Isso é importante, já houve no passado, e existe no mundo inteiro. Uma pessoa que mora em uma casa vai dar menos despesa de saúde, educação e previdência para o governo. Seria muito positivo."

Outro ponto crucial está no teto do financiamento via SFH, que está limitado a unidades de R$ 350 mil. Para grande parcela dos analistas, uma medida que possibilite uma elevação resultaria em crédito para boa fatia da população. Hoje quem compra uma casa de R$ 400 mil tem que usar a carteira hipotecária com juros acima de 12% mais TR (Taxa Referencial) ao ano. Se fosse possível comprar um de R$ 500 mil através do SFH, a taxa seria de, no máximo, 12% mais TR.

...Seria bom se viesse

Considerada um pouco mais distante de ser efetivada, algumas fontes do setor achariam relevante que a base do FGTS, hoje na prática apenas sob a gestão da Caixa Econômica Federal, também fosse acessada por mais bancos, oferecendo maior competitividade na disseminação desse recurso. De quebra, chegando mais rápido ao consumidor.

Além disso, segundo o presidente do Secovi, está em discussão entre o Governo e entidades de crédito uma maneira de proteção ao trabalhador que eventualmente perca o seu emprego formal e poderia ter a possibilidade de ficar sem pagar até seis meses do financiamento. "Isso talvez fosse acrescentado ao saldo devedor ou ao final do prazo, já corretamente corrigido", avalia.

Para Emílio Fugazza da EzTec, que tem um foco específico na classe média, seria necessário uma maneira de regulamentar essa estrutura. "Tenho certeza que as construtoras estariam abertas a uma situação assim, pois tranquilizaria a classe média, que é a que mais está sofrendo e foi o pilar do crescimento do setor nos últimos anos."


Fonte: InfoMoney

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