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  04/03/2009 - Creci: plano do governo deve incluir financiamento integral do imóvel usado

Pesquisa realizada pelo Creci-SP (Conselho Regional dos Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo) revelou que a maioria dos paulistanos que alugaram imóveis no ano passado tinha renda entre R$ 1.001 e R$ 3 mil. A baixa renda dificulta a formação de uma poupança para dar entrada na compra da casa própria e, por isso, a entidade defende financiamentos de valor total de imóveis usados.

Esta é a medida mais aguardada pelos corretores no plano de incentivo à habitação que deve ser lançado pelo governo. Na segunda-feira (2), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o plano prometido para estimular a construção civil deve ser apresentado dentro de 15 dias.

De acordo com o presidente do Creci-SP, José Augusto Viana Neto, as atuais regras de financiamento da casa própria, com a exigência de entrada de 20% a 30% do valor do imóvel na maioria absoluta das modalidades de empréstimo, impedem que famílias adquiram uma propriedade.

"Famílias com ganho mensal de até R$ 3 mil dificilmente se livrarão do aluguel porque essa renda é insuficiente para gerar poupança que lhes permita dar entrada de 20% a 30% do valor do imóvel nos financiamentos, como a maioria dos bancos exige hoje", afirmou.

Pacote

A informação de que o governo pode ampliar de 20 anos para 30 anos o prazo de financiamento de imóveis usados, atingindo seu valor integral e dispensando a necessidade de uma entrada, circula desde o início de fevereiro. A nova opção beneficiará famílias com renda mensal de até R$ 4,9 mil, com recursos parciais do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).

Dentre as medidas, ainda está a ampliação do valor máximo do imóvel financiado com recursos do FGTS, que passa de R$ 350 mil a R$ 500 mil.

Conforme disse Viana, o financiamento integral, acompanhado da redução dos juros, representa uma salvação para as famílias e um estímulo poderoso neste momento de incerteza para diversos setores da economia. "Pagar aluguel e juntar dinheiro para comprar a casa própria é uma missão praticamente impossível, e é esse problema que esperamos que o pacote comece a resolver".

Ele lembrou que as medidas devem vir acompanhadas de uma redução das taxas de juros, uma vez que mutuários na faixa de renda até R$ 3 mil dificilmente "suportarão pagar prestações com as atuais taxas de até 9% ao mês, sem comprometer gravemente seus rendimentos".

Perfil

A pesquisa sobre o perfil dos mutuários na cidade de São Paulo em 2008 revelou que 61,37% eram casados e que 47,39% tinham entre 31 e 40 anos. Os novos inquilinos com renda superior a R$ 5 mil mensais somaram apenas 9,82% do total, enquanto os compradores nessa faixa de renda chegaram a 33,6%.

Os dados foram coletados entre julho e dezembro do ano passado. A cada mês, foram consultadas uma média de 430 imobiliárias de todas as regiões da capital.


Fonte: InfoMoney

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